Nós fora nada
As palavras são perigosíssimas, Diogo. Sinceramente, até vivo bem dispensando todas as que não me servem para ajustar as contas. Passo sem palavras inúteis e voltas mal dadas – e se o mote for mais ou menos feliz, a volta pode ser mais leve que uma palavra bruta que depois de escrita é impossível devolver à virgindade inicial de partícula de dicionário. Em compensação, por estes dias, felicito-me mais com grunhidos, como são os risos alcoolizados, e a ternura dos bêbados emociona-me mais do que a frieza da escrita, a racionalidade justaposta, os rituais de contenção. Desejo uma escrita livre e sai-me disto. Censurada.
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